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Brasil: um país de todos ou um país de hipócritas?

Ai, ai… Época de eleição chegando e já começo a escutar o povo reclamando e soltando a mesma ladainha de sempre. Incrível! É o mesmo discurso de que estão desiludidos com o país, tão cheio de problemas e carências em virtude de governantes corruptos e ladrões.
E é aí, exatamente aí, que eu acho graça. Gargalho, até. As pessoas reclamam tanto dos políticos corruptos, mas será que é tão difícil de entender por que eles continuam lá?! Por acaso não vivemos em uma democracia na qual é o próprio povo que escolhe os seus governantes?! Pois é! Deve ser aí, então, que mora o problema! Só pode, já que este mesmo povo que reclama e clama por justiça e honestidade, é o mesmo que vende o voto por uma dentadura, por exemplo. É o mesmo que não procura conhecer seus candidatos e que acha que discutir e saber um pouco de política é algo maçante, chato, tedioso e, assim, desnecessário. É o mesmo povo que não vai às ruas e que vive reclamando do país enquanto assiste ao Jornal Nacional com a perna esticada no sofá. E só, pois já acha que faz muito quando paga seus impostos.
É o mesmo povo que acha bonito ser malandro e tirar vantagem dos outros usando o tal do jeitinho brasileiro. É o mesmo que suborna guardas de trânsito, que estaciona em vagas de deficientes, que compra DVD pirata, que fura fila de banco, que joga lixo no chão e depois reclama das enchentes, que acha ótimo quando o garçom erra e cobra a menos ou quando o vendedor dá o troco errado a mais. É o mesmo povo que – pasmem – admite que também roubaria se estivesse na política! Há maior hipocrisia?!
Vivemos reclamando do nosso país, enchemos a boca para vomitar acusações, mas colocar a mão na consciência ninguém quer. É mais fácil lembrar o gol daquele jogador de futebol na Copa de mil novecentos e bolinha do que lembrar o candidato no qual se votou nas últimas eleições. É mais emocionante torcer para que o Brasil vença o jogo contra a Argentina do que torcer para que a corrupção acabe. É mais cômodo ficar chocado com a professora que mostrou a calcinha dançando axé ou com a vovó da propaganda que concorda com o sexo sem casamento do que com a educação demasiadamente precária do nosso país!
“Sou brasileiro e não desisto nunca”?! Haja bobagem! Mais um jargão criado pela mídia do governo a fim de fazer com que a população permaneça nesse estado de inércia e resignação. Lamentável.
Se quisermos mesmo mudar a realidade do nosso país, então que se faça uma reforma brusca no pensamento e na consciência das pessoas. Que seja tapado esse buraco arraigado de ignorância. Só espero, de verdade, que essa argamassa ainda exista no mercado. Espero mesmo.


Queremos didática!

Outro dia estava conversando com um amigo que cursa Engenharia Elétrica e ele estava me falando das dificuldades do curso. Disse que estava desestimulado e pensando em trancar a universidade, pois não estava conseguindo dar-se bem nas disciplinas de alguns professores “carrascos”. De início fiquei intrigada, pois conheço este meu amigo há bastante tempo e sempre o percebi como uma pessoa dedicada e esforçada. Por que ele não estaria se dando bem neste curso que sempre foi o sonho dele?
Parei para pensar um pouco e lembrei que também enfrentei dificuldades no meu tempo de faculdade. Sou formada em Ciências da Computação e ainda me recordo de uma das primeiras aulas que tive no curso: Introdução à Ciência da Computação. O professor, um francês de sotaque acentuado com – logicamente – pós-doutorado, começou falando sobre recursividade, um assunto completamente novo para nós, e para isso fez analogia com uma cebola. Entendemos? Claro que não! Mas pelo menos tivemos vontade de chorar, assim como a cebola faz com a gente.
Não sei em outras áreas, mas em exatas muitos professores colecionam títulos. São mestres, doutores, Phds. Mas, por vezes, no momento de dar uma aula, não conseguem passar o conteúdo de uma forma clara, de maneira que a turma entenda e se interesse pelo assunto. Ou seja, falta a tal da didática. Mas será que eles nunca tiveram uma aula de didática na vida?! Acredito que sim. Mas talvez o professor de didática não tivesse didática, vai saber…
Não era novidade algum professor chegar ao primeiro dia de aula com pérolas do tipo: “Pessoal, leiam este livro, pois daqui a três semanas faremos uma prova sobre seu assunto”. A aula acabava, ele saia da sala e quem quisesse tirar alguma dúvida, teria que marcar um horário para tal. Sim, marcar um horário! E aí, o que pensar? “Ah, que legal! Uma disciplina que ensina a ser autodidata. Iupi!” Ou seja, passa quem é um herói. Ou parente do Chuck Norris.
E o tal do professor data-show? Não conhece? É aquele que passa a aula inteira lendo os slides! Há coisa mais monótona? Isso quando não se exime de ministrar as aulas através dos famosos seminários. Na minha época, que não é nada distante, escolhia-se um livro, dividia-se a sala em grupos e sorteavam-se os capítulos. No final das contas, nós alunos é que ministrávamos as aulas. E muito mal, por sinal. Não tenho nada contra seminários, mas transformar a maior parte de uma disciplina em uma porção de apresentações que por vezes eram medonhas é lamentável.
É por essas e outras que fico me perguntando: se o professor não tem tempo ou até mesmo vontade de lecionar, pra que ele está lá então? Não faz sentido um docente não atentar para sua verdadeira função: fazer com que os alunos aprendam! Será que é tão difícil ser didático, acessível, simples e claro? Ou será que é mais cômodo ser monótono, cansativo e cruel, criando uma barreira na relação com o alunado?
Por isso que acredito que um professor cheio de títulos não é, necessariamente, um bom professor. Em alguns casos os títulos podem até atrapalhar, pois muitas vezes vêm acompanhados de prepotência e arrogância.
Quando o aluno não aprende, a culpa obviamente é sempre do aluno e nunca do mestre, visto que este é dotado de sabedoria e autoridade indiscutíveis. Se o rendimento do aluno é insatisfatório, é porque não estudou o suficiente. Fim de papo.
“(…) É como se o paciente, que morresse por um erro do médico, fosse o culpado pela sua própria morte; não colaborou com a técnica empregada pelo médico e, por pura pirraça, morreu. Na educação a “morte” se dá pela má formação recebida e a utilização equivocada das técnicas aprendidas. E no caso da educação a culpa da “morte” é sempre do paciente (aliás, esse termo paciente também deveria ser usado para os alunos, porque, na maioria das vezes … Haja paciência!).” José Luiz de Paiva Bello, mestre em educação e professor da Universidade Federal do Espírito Santo.
Em outras palavras, se o aluno aprende, o mérito é do professor. Se não aprende, a incompetência é dele próprio, pois o professor ensinou, mas ele não assimilou. É o famoso “Que burro, dá zero pra ele”. Há casos em que mais de a metade da turma é reprovada e tal fato é visto com a maior naturalidade. Triste, mas comum.

Lembro até hoje da nota mais baixa que tirei na minha vida: 1.5 em uma prova que valia 10! Quando recebi a nota fiquei arrasada, sentindo-me a escória da sociedade universitária. Mas depois que soube que a maior nota da sala havia sido 4.0 de um garoto que era praticamente o Sheldon do The Big Bang Theory, quase dei estrelinhas de felicidade. Meus colegas de classe comentavam: “Você tirou 1.5?! Caramba, parabéns!”. O garoto que tirou 4.0 foi muito mais venerado depois deste episódio. Será mesmo que ele não estudou o suficiente para tirar uma nota melhor? E será que eu também não? Nem preciso responder.
Cenas como essa eram e ainda são corriqueiras. Para alguns professores, a parte mais divertida da profissão não é auxiliar no aprendizado do aluno, mas sim avaliar/julgar/medir seu desempenho, visto que é exatamente nesta fase que acredita ter o controle da situação. Certos professores gostam, sentem prazer, se orgulham em serem temidos, em serem “carrascos”. E tudo isso pra quê? Será que eles pensam que serão mais respeitados assim? Que devido a esta condição serão homenageados na colação de grau? Tenha dó. Vai ver que é por isso que dizem que universidade é igual à piscina: os professores nadam, os alunos bóiam e as notas afundam. Fato.
Dessa forma, acredito que muitos docentes devem repensar o seu papel. Devem reavaliar seus métodos, seus recursos e suas posturas, visto que um verdadeiro professor é aquele que guia, que estimula e que motiva os seus alunos a terem vontade de aprender. E gosta disso! É aquele que marca de uma forma positiva, sempre disposto a ajudar e que, por não portar arrogância, permite o diálogo e a aproximação com o alunado. É aquele que se reinventa, que se atualiza, que se preocupa com o resultado de seu trabalho. Enfim, é aquele que adora o que faz. Será que é tão difícil, professor?

A essência das maçãs

Outro dia, lendo meus e-mails, recebo uma mensagem de uma amiga com a qual não tenho contato há tempos. Quando abro a mensagem, vejo um texto muito familiar que dizem ser de Machado de Assis, mas vai saber: “Mulheres do topo das árvores”. Vou escrevê-lo aqui para que ninguém fique boiando, apesar de acreditar que certamente você já se deparou com ele:
“As melhores mulheres pertencem aos homens mais atrevidos.
Mulheres são como maçãs em árvores.
As melhores estão no topo.
Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e de se magoarem.
Preferem agarrar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.
Assim, as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados…
Elas têm que esperar um pouco mais para o homem certo chegar. Aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.”
Beleza. Então quer dizer que, segundo o texto, a maioria dos homens prefere ficar com as mulheres mais “podres”, as caídas no chão, uma vez que estas são mais fáceis, pois as chances de se magoarem são menores do que com uma mulher de patamar “mais alto”.
E é agora que eu pergunto: o que seria, então, uma mulher do topo? Seria uma mulher mais bonita, mais inteligente, mais carismática, mais o que? Pelo texto podemos pelo menos inferir que são mais “difíceis” de se conseguir, não é mesmo?
Ok. Primeiro ponto: uma mulher do topo, de acordo com o que foi escrito, é uma mulher difícil, certo? Então alguém me responda, POR FAVOR, por que eu vejo esse mesmo texto infestando os blogs, os orkuts, os fotologs e os emails da vida, fazendo parecer que TODA mulher que lê esse troço é uma mulher “de topo”, uma “maçã das boas”. Inclusive aquelas que ficam com 10 caras em uma noite, que dão pra 3 em um final de semana, que passam o rodo em uma micareta. Isso é ser difícil? Pra mim essas mulheres só querem ser maçãs para serem comidas, né não? E se ela não for fácil assim, pode ter certeza que em 95% dos casos o texto está lá para servir de desculpa pelo seu encalhamento: “Ah, ninguém me quer porque, afinal, eu sou boa demais.” Parece que nenhuma delas quer admitir que tenha defeitos, não? Quanta humildade…
Por isso que eu sou puta com essas meninas que querem fazer o papel de princesa encantada em pedestal e usam textos enaltecedores de ego para isso. Se foi mesmo escrito por Machado de Assis, a realidade do tempo era outra e hoje, em pleno século XXI, acho incrível que ainda paire sobre certas cabeças esse pensamento de espera pelo “homem ideal”, pelo “príncipe encantado”. Honestamente, acho bobagem, pois não existe pessoa perfeita. Nem você, que se intitula “do topo”, não é. Por isso, não fique se achando a rainha da cocada preta.
Eu até entendo que hoje em dia as pessoas não se valorizam, que são superficiais, que não firmam compromisso e por isso há muita expectativa em se encontrar a pessoa certa, a tal tampa da panela, mas acontece que não adianta ficar em cima de uma macieira, sendo exaltada, esperando o tempo passar e o príncipe chegar, pois as maçãs, como qualquer outra fruta, também apodrecem e caem. Da mesma forma que podem cair apenas com uma ventania ou até com as bicadas de um passarinho, concorda?
Não me entendam mal, pois apenas quero dizer que TODAS as pessoas têm suas características, seus defeitos, suas qualidades e, à sua maneira, sabem ser especiais. Não acredito que exista uma pessoa totalmente ruim, assim como não acredito existir uma pessoa em sua totalidade boa. Por isso que penso que se uma maçã está caída no chão não significa que ela seja inservível. Provavelmente deve haver alguma parte dela que possa ser aproveitada. Assim como pode existir uma maçã no topo da árvore com furos de larva, o que já não a tornaria perfeita. Por que não? A maçã que foi escolhida por Eva estava no topo e não trouxe alegria alguma. Pelo contrário.
Assim, sejamos realistas: ninguém é perfeito ou inatingível. Se um homem não colhe determinada maçã pode ser simplesmente porque ele prefere uma jaca, porque é alérgico à frutose ou porque simplesmente não gosta de maçãs, ora bolas! Qual é o problema?
Então discordo quando o texto diz que ELES são os errados. Não há ninguém errado nessa história, apenas homens que optam de maneiras diferentes e que não deveriam ser julgados por isso. Afinal, todas têm o direito de serem escolhidas, não é mesmo?
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